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PISA 2025: o Brasil diante de Chile, México e Portugal

28 de setembro de 2026 · Dados transversais do PISA 2025 (OCDE) e do Inep (Censo Escolar, Ideb): associações, sem causalidade; duas meta-análises para os pontos de pesquisa · 7 min

DOI: 10.1787/73451bc5-en

A OCDE divulgou em 8 de setembro de 2026 o primeiro volume de resultados do PISA 2025. No Brasil, 30.140 estudantes de 1.053 escolas fizeram as provas em abril e maio de 2025. Eles representam cerca de 2.185.000 jovens de 15 anos, o equivalente a 76% da população dessa idade, segundo a nota da OCDE sobre o país.

As médias brasileiras ficaram em 409 pontos em ciências, 408 em leitura e 377 em matemática. A média da OCDE é de 482, 461 e 463. As variações em relação a 2022 (+6, -2 e -2 pontos) não são estatisticamente significativas, e a OCDE descreve os resultados do país como estáveis desde 2015.

Quem o PISA mede no Brasil

O PISA avalia jovens de 15 anos matriculados a partir do 7º ano. Os 24% que ficam de fora são, em geral, jovens fora da escola ou com grande atraso, além de alunos excluídos da aplicação. A OCDE adverte que deixá-los de lado leva a subestimar a proporção de baixo desempenho e a desigualdade.

A amostra ponderada divulgada pelo Inep mostra 72,4% dos participantes em escolas estaduais, 15,4% em privadas, 9,2% em municipais e 3,1% em federais. A maioria cursava a 1ª série (55,4%) ou a 2ª série do ensino médio (29,3%). Outros 14,9% ainda estavam no ensino fundamental, entre o 7º e o 9º ano.

No Censo Escolar 2025, a taxa de distorção idade-série no ensino médio caiu para 16,0%, contra 25,3% em 2021. A taxa chega a 17,6% na rede pública e a 5,7% na privada, e a 19,3% entre alunos pretos e pardos, contra 10,9% entre brancos.

A OCDE destaca que o Brasil manteve as médias estáveis desde 2015 enquanto a cobertura da amostra subiu 4 pontos percentuais. Segundo o relatório, a entrada de jovens antes excluídos costuma trazer para a amostra mais alunos de baixo desempenho, o que pode esconder parte dos avanços.

Vinte anos de avanço, com uma ressalva

O Inep calcula que a distância entre o Brasil e a média dos 23 países da OCDE que participam desde 2000 caiu de 102 para 58 pontos em leitura entre 2006 e 2025. Em matemática, caiu de 131 para 92; em ciências, de 113 para 77. Entre mais de 50 países com dados nas duas edições, o Brasil ficou em 7º lugar no crescimento em leitura e matemática.

Em leitura, o Brasil subiu 15 pontos (de 393 para 408) e a média desses 23 países caiu 29 (de 495 para 466). Em matemática, o avanço brasileiro foi de 7 pontos, contra uma queda de 32 na OCDE. Nas duas áreas, o recuo dos países ricos responde pela maior parte da aproximação.

O patamar ainda é baixo. Só 28% dos alunos brasileiros atingem o nível 2 em matemática, o mínimo definido pela OCDE (média: 65%). Em leitura são 49% e em ciências, 48%. Segundo o Volume I, 43,8% ficam abaixo do nível 2 nas três áreas ao mesmo tempo, contra 19,7% na OCDE, e 1,8% alcançam os níveis 5 ou 6 em alguma delas.

Redes pública e privada e origem social

Os documentos do PISA 2025 publicados até agora não trazem as médias por rede. O Ideb, que combina aprovação e proficiência no Saeb, fornece a referência nacional. Em 2023, o ensino médio da rede estadual marcou 4,1 e o da rede privada, 5,6. Nos anos finais do fundamental, a rede municipal ficou em 4,6, a estadual em 4,9 e a privada em 6,3.

O PISA mede a origem social de outra forma. No Brasil, 35% dos participantes estão no quarto socioeconômico mais baixo da escala internacional, com média de 380 pontos em ciências. Os 25% mais favorecidos do país superam os 25% menos favorecidos em 96 pontos (OCDE: 85), e o nível socioeconômico explica 16% da variação das notas (OCDE: 12%). Entre 2015 e 2025, essa diferença aumentou no Brasil, com melhora entre os favorecidos e estabilidade entre os desfavorecidos. Em matemática, a distância social cresceu entre 2022 e 2025 em apenas três países: Brasil, Filipinas e Turquia. Nem o Ideb nem o PISA separam o efeito da escola do perfil socioeconômico dos alunos que cada rede recebe.

Desigualdade entre regiões

Os resultados do PISA divulgados não trazem recorte por região. O Inep mostra a desigualdade pela trajetória escolar: na apresentação do Ideb 2023, 71,0% dos jovens de 16 anos da região Norte haviam concluído os anos finais do fundamental, contra 89,1% no Sudeste. Entre os 20% mais pobres, a proporção era de 70,9%; entre os 20% mais ricos, de 93,5%. Jovens fora da escola ou abaixo do 7º ano não entram na amostra do PISA.

Chile, México e Portugal

Segundo o Volume I da OCDE, o Chile fez 442 pontos em ciências, 436 em leitura e 403 em matemática. O nível socioeconômico explica 11,4% da variação das notas chilenas, e 28,8% dos alunos ficam abaixo do nível 2 nas três áreas. Entre 2006 e 2025, as médias chilenas mudaram pouco (de 442 para 436 em leitura, de 438 para 442 em ciências).

O México tem médias próximas às brasileiras: 414, 408 e 388. A diferença entre alunos favorecidos e desfavorecidos é de 68 pontos, menor que a do Brasil. A amostra mexicana, porém, cobre 69% dos jovens de 15 anos, contra 76% no Brasil, e o alerta da OCDE sobre cobertura vale para os dois países.

No mesmo relatório, Portugal soma 482, 462 e 460 e fica na média da OCDE. Mesmo assim, a diferença social portuguesa chega a 92 pontos, perto dos 96 brasileiros. Ali, uma desigualdade parecida convive com médias de 54 a 83 pontos acima das brasileiras, conforme a área. As três comparações descrevem sistemas diferentes e não apontam qual política produziu cada resultado.

O que a pesquisa diz sobre reprovação e família

A meta-análise de Allen e colegas (2009) reuniu 207 tamanhos de efeito de 22 estudos publicados entre 1990 e 2007. Nos estudos de desenho metodológico médio ou alto, os autores não encontraram efeito significativo da reprovação sobre o desempenho, em nenhuma direção. Os estudos de desenho fraco mostravam efeitos negativos, 0,34 desvio-padrão abaixo dos demais. Nível de evidência: meta-análise de estudos observacionais; o efeito médio não descreve nenhum sistema em particular.

A nota da OCDE sobre o Brasil registra queda no apoio familiar relatado pelos alunos. Em 2025, 51% dizem que os pais perguntam pelo menos uma vez por semana o que fizeram na escola, contra 62% em 2022. Os que conversam toda semana sobre problemas na escola passaram de 55% para 41%. A meta-análise de Hill e Tyson (2009), com 50 estudos sobre os anos finais do fundamental, encontrou associação positiva entre envolvimento dos pais e desempenho, com exceção da ajuda nas tarefas de casa. A associação mais forte aparece quando os pais conversam com os filhos sobre expectativas e planos para os estudos. Nível de evidência: meta-análise de estudos correlacionais, que não demonstra causa. Para a gestão escolar, o dado sugere dar prioridade, no contato com as famílias, às expectativas e ao projeto do aluno, mais do que ao controle das tarefas.

Os limites do PISA

O PISA é transversal: cada edição avalia um grupo diferente de alunos, e os dados mostram associações. O celular serve de exemplo. A Lei 15.100, de 13 de janeiro de 2025, proibiu o uso de aparelhos pessoais na educação básica, salvo para fins pedagógicos. No PISA, aplicado meses depois, 81% dos alunos brasileiros estavam em escolas que proíbem o celular, contra 37% em 2022. Quem relata distração digital nas aulas de ciências tem 19 pontos a menos, já descontado o perfil socioeconômico (OCDE: 11). Para medir o efeito da lei, seria preciso acompanhar os mesmos alunos ou comparar escolas antes e depois da regra.

A OCDE também desaconselha converter diferenças de pontos em anos de escola. Pelas estimativas citadas no relatório, os alunos brasileiros ganham cerca de 12 pontos por ano em matemática, contra uma média próxima de 20.

Referências